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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A gente sonha cada coisa...

Noite dessas tive um sonho muito estranho... Foi um pesadelo.


Alguém me dizia:

__ Acha mesmo que um dia seu romance “A Juíza”, por mais maravilhoso que seja, vai conseguir ser aprovado publicamente por aquela pessoa?

No sonho, eu compreendia perfeitamente a que pessoa se referia meu interlocutor. Depois de acordada, no entanto...

De qualquer forma, lembro de haver respondido:

__ Por que não?

E a resposta veio sem se fazer de rogada:

__ Ora, você e essa sua ingenuidade que às vezes beira à burrice! Estou falando de que pessoas como ela, cujo aval a seu livro poderia lançá-lo à lista dos mais vendidos, tem uma ou outra causa na Justiça, ou teme vir a ter alguma...

__ E daí?, devolvi eu.

__ E daí que, ainda que seu livro seja uma obra de ficção, certas pessoas podem temer que confundam sua aprovação a ele com crítica ao judiciário... Ou, quem sabe?, a algum juiz ou juíza do qual estejam precisando no momento... Depois, você já ouviu falar em corporativismo?

Indignada, antes de acordar, encerrei a conversa:

__ Como assim??? Não, não acredito no que diz, não.
Meu livro é um romance e sequer é ambientado com exatidão no tempo ou no espaço... E ainda que fosse ele espécie de crítica a parcela do judiciário, pense: aqueles que agissem da maneira que você sugere, sem coragem de opinar sobre um texto literário - seja por medo de sofrer algum tipo de represália, seja por alguma espécie de fidelidade distorcida - é que estariam fazendo à Justiça, em toda sua inteireza, uma baita crítica.

No meu entender, isso, sim, é que seria ofensa.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

RETICÊNCIAS...

Uma leitora – que leu um dos meus livros e costuma visitar o blog – acaba de me escrever, dizendo que uma coisa a incomodava em meus escritos: o uso infinito das reticências, a interromperem, toda hora, seu raciocínio.

Respondi a ela, mais ou menos, o que segue. Quem sabe, respondo, por tabela, a outros leitores que possam se incomodar com a mesma coisa?


Acredito que realmente as reticências sejam característica marcante em meu estilo. Sendo que muitas vezes o que quero é mesmo interromper o leitor, fazendo-o retornar ao texto outra vez ele mesmo... Em todo caso, pode ser que às vezes exagere – vou prestar mais atenção.

Por outro lado, fico pensando: por que você – e certamente pode não ser apenas você – se incomoda tanto com essa espécie de "interrupção" provocada pelas reticências...? Ou melhor, a pergunta talvez seja: por que as pessoas, de modo geral, não querem ser interrompidas?

Seria porque, na verdade, a interrupção que todos tememos é a sempre negada morte? E, assim, preferimos nos distrair com tudo que pareça mais contínuo do que a própria vida?

Machado de Assis sempre cuidou de “interromper”, a todo momento, seus leitores ( vide Roberto Schwarz sobre o assunto )... E eu, que sou apaixonada por sua obra, agora, fico sabendo que estou obtendo, de certa forma, o mesmo tipo de resultado... Creia, fico contente.

Afinal, em relação a cada leitor, o papel do escritor - daquele escritor que, mais do que convencer o leitor daquilo que diz, acaba por auxiliá-lo no caminho do autoconhecimento, em direção ao “humano universal” – talvez sempre haja sido, seja, e continue sendo, pura e simplesmente, ”interrompê-lo”.

OS MAIS LIDOS NO BLOG

Fico imensamente gratificada ao ver como o que escrevo tem sido bem recebido.

Obrigada, gente!

Gosto também de constatar que textos como "Capitalismo: uma história de amor" ( procure no mês de julho/10 ) e "O Menino do Pijama Listrado" ( procure no mês de julho/09 ) estão entre os mais visitados.

Se você ainda não os leu, por que não vai até lá, depois de ler as publicações atuais?

Creia, em tempos de eleição, de pensarmos em qual mundo queremos ajudar a construir, eles são ótimas reflexões.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

5 X FAVELA - AGORA POR NÓS MESMOS

Conseguiram!

Roteiristas, diretores e atores ( brilhantes! ) definitivamente conseguiram produzir cinco filmes sobre favela capazes de tocar profundamente também a alma daqueles que vivam bastante longe de qualquer favela.

Para me lembrar depois, batizei a primeira história de “Faculdade”; a segunda, de “Galinha”; a terceira, de “Violino”; a quarta, de “Pipa”; e a quinta, de “Natal”.

Já nos primeiros minutos de “Faculdade”, o personagem Maycon, morador da favela que consegue passar no vestibular para a faculdade de Direito, resume as cinco histórias, ao explicar a abastado colega que, no lugar onde mora, "é difícil separar-se o certo do errado"...

A verdade é que também aqui, em nosso mundo, parece cada vez mais tênue a fronteira entre o certo e o errado, entre o bem e o mal... Tanto é que é o rapaz “bem nascido” a propor que Maycon – até então apenas preocupado em ser bom filho, bom irmão e bom aluno - seja seu fornecedor de drogas...

Como as cenas são produzidas com competência e sem qualquer sinal maniqueísta, acredito que, logo de cara, seja impossível a qualquer um ficar na defensiva ou recusar-se a perceber como são permeáveis os mundos...

O espectador foi capturado. Acomoda-se melhor na cadeira, percebendo-se diante de muito mais do que uma chance oferecida a jovens diretores de cinema da favela.

E segue descobrindo os vários arquétipos que tocam a humanidade como um todo e que são abordados no filme com maestria.

O sonho, o amor, o sonho, a amizade, o sonho, a família, o sonho, o medo, o sonho, a dor... O sonho.

Está tudo lá.

O sonho de Maycon de se formar em Direito é realizado, mas, no terceiro episódio – “Violino” -, vemos o sonho de ser violonista de uma das personagens acabar tragicamente...

Em todos os episódios, percebemos o cuidado, consciente ou não, de não mostrarem qualquer imagem que pudesse ser interpretada como preconceito em relação ao preconceito que, por sua vez, sabemos que ainda sofrem os moradores de qualquer favela. ( Certamente cada vez menos e menos ainda quanto mais for assisitido o “5 x favela...”. )

Assim é que na tela não vemos brancos maltratando negros ou ricos maltratando pobres ( na faculdade, por exemplo, Maycon não é discriminado por qualquer colega ). E sequer somos obrigados a decidir, na trágica história da violinista – única em que nos deparamos com flagrante violência - se os policiais são melhores ou piores do que os bandidos...

Ainda que nos leve a refletir sobre a esquizofrênica visão do policial em confronto com suas origens não apenas em nome da farda, o filme parece simplesmente querer mostrar o que É. Sem qualquer julgamento. Inclusive as diferenças entre os vários segmentos da sociedade são sublinhadas justamente pela ênfase em sua igualdade, sendo a favela apenas pano de fundo para dramas humanos possíveis em qualquer parte do planeta.

Veja-se o trecho quase cômico do segundo episódio – “Galinha” -, no qual um grupo de crianças de escola particular assalta os dois garotos que saem da favela em busca de uns trocadinhos para comprar um frango que pudesse incrementar o jantar de aniversário do pai de um deles...

Essa inversão do imaginário social é sublime, um dos pontos altos do filme... Seria uma metáfora para a injustiça social ou algo assim? Não importa. O que importa é que ela confunde, mais uma vez, os dois mundos, aqui e lá, lá e aqui...

No quarto episódio, “Pipa”, rapazinho é obrigado a atravessar a ponte que separa sua comunidade da comunidade rival, em busca da pipa que deixara escapar... Depois de sustos e da pipa recuperada, aproveita ele para visitar a colega de escola – moradora daquele lado -, pela qual estava apaixonado...

Destaque para a poesia improvável da cena que encerra o quadro: uma ponte caindo aos pedaços, sobre um rio de esgoto e sujeira, tendo em seu centro os dois jovens combinando encontro para o dia seguinte...

O último conto é o “Natal”.

A fala mais marcante da história é do eletricista, que está ali para fazer o reparo em um poste de luz, já que algumas casas corriam o risco de passar o Natal às escuras.

Ao telefone, para o colega que o aguarda embaixo e tem pressa de ir embora, viver o seu Natal, Lopes diz:

_ Aqui também é Natal.

Mas voltemos ao segundo episódio. Não consigo deixar de pensar algumas vezes que talvez seja esse aquele do qual mais gostei...

Belíssimo! Inteligente! Delicado! Sutil!

Sem falar que deixa importante mensagem para os moradores de qualquer dos lados de qualquer ponte...

Claro, sei que haverá aqueles espectadores que desmerecerão o episódio por nele identificarem um certo cunho moralista...

Mas não: moralista é aquele que vive da forma, da aparência, é aquele que gosta das palavras bonitas e vazias... O moralista não raro é também um hipócrita.

E esse segundo episódio – eu o batizei de “Galinha”, mas ele se intitula “Arroz com feijão” - fala justamente das lições mais profundas, daquelas que recebemos diretamente em nosso coração, não através de ensinamentos formais, mas através da simples observação daqueles que têm alguma ascendência sobre nossa alma.

No conto, o menino acaba por roubar um frango para presentear o pai, ao qual garante haver comprado o alimento com dinheiro ganho ajudando o “homem dos cavalos” a limpar a sujeira que os animais haviam feito... Mas, durante o jantar, ele fica impressionado com a história do pai sobre o quanto sofrera, em criança, ao saber que o avô do garotinho roubara um frango para alimentar a família...

O sincero sofrimento paterno diante daquela situação fá-lo tomar a decisão que, além de garantir, ao espectador, final divertido e criativo, ilustra o que seja a única educação passível de obter bons resultados na favela ou fora dela: o testemunho de vida, o exemplo vivo de reação possível diante dos pequenos e grandes embates da vida entre o Certo e o Errado...

Os exemplos negativos, infelizmente, funcionam da mesma maneira.

Enfim, volto a me lembrar dos jovens sobre aquela ponte e, imaginando-os afetuosos, ali, parados, no ponto exato em que se unem e se separam os territórios dos grupos rivais, penso que os melhores sentimentos estão mesmo acima de tudo... Como as “pipas”, eles não respeitam as fronteiras forjadas em qualquer tipo de guerra... E concluo que uma compreensão profunda da existência de uma espécie de “humano universal” – certamente facilitada por obras como “5 x favela – agora por nós mesmos" - pode ser a ponte entre a favela e o resto do mundo, ou entre o resto do mundo e a favela.

REPRODUZIDO NO PORTAL DA PRODUÇÃO DO FILME "5 X FAVELA - AGORA POR NÓS MESMOS".

AINDA EM TORNO DOS SIGNOS "PRETO" E "BRANCO" E DO FILME "NOSSO LAR"

Partindo-se do princípio de que Chico Xavier haja descrito minuciosamente, no romance que acaba de virar filme, as vestes dos espíritos tanto do “Umbral” quanto de “Nosso Lar”, imagino que aqueles que adaptaram a história por ele psicografada possam haver resolvido apenas reproduzir as imagens criadas pelo médium/escritor ...

Tudo bem.

Mas a questão da qual tenho tratado aqui independe de que o muito respeitado médium haja feito descrições totalmente objetivas ou que simplesmente roteiristas e diretores tenham interpretado suas palavras a partir de arquétipos durante muito tempo arraigados no imaginário social, associando o branco à pureza e o preto à maldade.

Associações essas que suponho começadas muito antes de qualquer apartheid social. Provavelmente quando os primeiros homens descobriram que a luz do dia e mesmo a do fogo protegiam-nos dos animais ferozes que podiam surpreendê-los na escuridão da noite...

Mas hoje sabemos que muitas vezes é ao fecharmos os olhos que podemos ver melhor as coisas... E que são infinitos os exemplos em que as duas cores podem se associar igualmente ao positivo ou ao negativo, o tempo todo relativizados...

E acredito que, de qualquer forma, precisamos ser cuidadosos, para que nossa memória atávica não interfira na formação de nossos conceitos e valores... Principalmente quando quisermos simbolizar aqueles absolutos como o supremo bem, desejado por todos e indentificado com a evolução espiritual; e o supremo mal, mergulho do espírito no próprio inferno.

Bem, tenho querido aqui, ao falar das impressões em mim causadas pelo filme Nosso Lar, tratar da possibilidade de que nosso imaginário esteja sobrecarregado de associações – muito mais do que na época em que foi escrito o livro – das quais, consciente ou inconscientemente, já não estamos muito convictos...

Afinal, para não nos aprofundarmos muito, quem não conhece a noiva, casando-se em terceiras núpcias, que veste-se de branco apenas para realizar seu sonho de menina? Ou seja: o branco vem deixando de ser considerado símbolo virginal...

E isso não é ruim.

É transformação...

É abrir-se caminho, no caso, para o fim da hipocrisia.

Por outro lado, depois que me falaram de uma pesquisa realizada com crianças negras, às quais foi perguntado, apresentando-se-lhes bonecas brancas e negras, quais seriam as bonecas ruins, e que a resposta veio, de todas elas, firme, com os dedinhos apontados na direção daquelas com sua mesma cor de pele, cheguei à conclusão de que precisamos apressar a desconstrução da noção negativa atribuída ao preto, ao escuro, à cor negra, no imaginário social.

Certamente o resultado assustador de tal pesquisa acena para valores ideologicamente impostos. E fico pensando se não seria justamente por causa daquela nossa memória antiga, da qual falávamos, que foi possível o domínio cultural e ideológico dos brancos sobre os negros, que demora a acabar.

Assim, é todo esse imaginário que precisamos pensar em conscientemente desconstruir. Principalmente os fazedores de cultura. Principalmente os intelectuais. Principalmente todo e qualquer ser humano que se diga espiritualista.

Pois a verdade é que todo escritor, ainda que seja ele um espírito - e exprima-se através de um médium -, se quiser ser lido e compreendido, além de precisar escolher a Língua da qual fará uso, terá, necessariamente, de utilizar imagens que façam sentido para seu público alvo em determinado momento da História. Ainda quando consiga inserir em sua obra, aqui e acolá, algumas novas perspectivas impactantes...

Cabe aos que venham interpretar, no correr dos anos, qualquer obra, a tarefa de manter carinhosamente seus significados. Sempre conscientes, no entanto, da possibilidade de precisarem rever, a cada vez, os signos através dos quais possam expressá-los.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"Luminosa Escuridão"

Estava imersa em minhas impressões acerca ainda do filme "Nosso Lar" quando me chega o e-mail da prima e amiga Sandra, com quem tenho tido, principalmente ao longo dos últimos anos, o privilégio de compartilhar sentimentos e reflexões em torno de temas relacionados com a espiritualidade.

Dessa vez, ela quer dividir com os amigos belo texto de Huberto Rohden intitulado "Serenidade Mística"... Como um trecho desse texto é emblemático daquilo que venho tentando, de meu lado, dividir com meus leitores sobre o filme, reproduzo-o aqui:

"[...] Esse estado é essencialmente anônimo. Deus é o rei dos anônimos - e é por isso que os homens lhe dão tantos nomes, porque nenhum deles define o indefinível, o inominável.
Paulo tentou definir o estado anônimo do homem imerso na atmosfera da indefinível Divindade, mas acabou confessando que o que ouvira eram "árreta rémata" - "ditos indizíveis"...
Agostinho procurou atingir o intangível - mas capitulou com armas e bagagens e gemeu sob o peso da sua incompentência....
Tereza D'Ávila, João da Cruz, Eckehardt e tantos outros falam em "luminosa escuridão", em "solidão sonora", "no silêncio deserto da Divindade", no "vácuo da plenitude", e outros paradoxos que nada dizem - e muito fazem adivinhar.
Um desses ébrios da Divindade chega a dizer que esse estado místico é um "des-nascimento" - e esta palavra é uma das mais felizes e verdadeiras. Pelo nascimento se materializa o homem - é necessário des-nascer para a matéria, a fim de poder renascer para o espírito. [...]"

Destaco o belo paradoxo "luminosa escuridão": acredito que seja em torno de imagens como essa - a evidenciarem a "coexistência sobreposta" entre o preto e o branco, entre o claro e o escuro - que dever-se-iam reunir os cineastas dispostos a se desfazerem do engessamento de certos conceitos em face de futuras criações do gênero espiritualista.
( Vide nesse blog texto intitulado "UNIDADE", 06/09 )

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A CRIAÇÃO

A história de Charles Darwin, retratada nesse filme, é muito mais instigante do que à primeira menção possamos imaginar.

Apegado à família e dedicado à sua pesquisa, que - preocupado que parecia em esmiuçar todas as suas observações da evolução dos seres vivos até o surgimento do animal homem sobre a Terra - leva mais de vinte anos para concluir, ele não para por aí.

A verdade é que o cientista, conhecido por sua teoria da “Evolução das Espécies”, tida ainda hoje por muitos como antagônica à teoria da “Criação” - segundo a qual Deus criou o mundo em 7 dias -, surge-nos como personalidade das mais interessantes.

Tanto quanto sua dedicação ao trabalho, parece-nos imenso o amor que o cientista nutre pela mulher e pelos filhos, com destaque para a primogênita. De tal forma que, após sua precoce morte, aos 10 anos, passa a manter com ela intermináveis conversas imaginárias, num relacionamento diário mais real do que o mantido com o resto da família.

O melhor do filme: levar-nos a imaginar que o que atrasou a pesquisa de Darwin, mais do que o nível de sua exigência profissional, possa haver sido a dúvida em relação à conclusão última que, a seu tempo, suas ideias pareciam sublinhar: a negação da existência de Deus. Todo o amor devotado à filha morta, que o levava a querer acreditar que a morte não podia ser o fim de tudo(?), pode haver sido a razão de sua confusão humanamente enriquecedora.

Melhor ainda: que sua esposa, muito apegada aos dogmas religiosos e o tempo todo contrária àquelas pesquisas, ao final, após ler todo o trabalho do marido - que deixa em suas mãos a decisão sobre sua publicação ou não -, acabe ela mesma encaminhando o calhamaço à editora, pronunciando as contraditórias e humanas palavras: Que Deus nos perdoe!

A bela e humana ambigüidade, o conflito, o quase reconhecimento pelo casal de indícios da existência concomitante e complementar de ambas as teorias, Criação e Evolução, colocam como fundo, para essa história ambientada no século XIX, as ideias mais ousadas em torno dessa convergência, diante das quais, em pleno século XXI, muitos ainda reagem furiosamente.