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quinta-feira, 8 de março de 2012

"Respeitabilidade e Autoengano"

Queridos leitores, não deixem de ler nesse blog os textos "Respeitabilidade e Autoengano" e "Grandes Esperanças".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Ricos e ricos"

Em uma das últimas revistas “Veja” que folheei no consultório de meu dentista, li, do jornalista J. R. Guzzo, o artigo de última página intitulado “Ricos e ricos”.

Fiquei sabendo que, segundo o escritor Scott Fitzgerald – com quem o articulista parece concordar, os ricos seriam seres humanos diferentes de “você e, provavelmente, de todas as pessoas que você conhece mais de perto”...

Ao longo do texto, Guzzo nos lembra de que o verdadeiro rico não se reconhece apenas medindo-se seu patrimônio. Ou seja, estamos cercados de “ricos-pobres”... Mas, se ficamos com a esperança de estar ele ali valorizando a riqueza interior e os bons e universais valores humanos, logo nos decepcionamos: não há sinal, em todo o artigo, do reconhecimento da possibilidade de existência dos ditos – e em nossa sociedade pouco reverenciados – “pobres-ricos”.

J. R. Guzzo também nos premia com pérolas anacrônicas de incentivo ao acúmulo de capital, ao afirmar que “as sociedades não ficam mais ricas sem que aumente o número de ricos”, ou que “sequer um único pobre deixaria de ser pobre, caso todos os ricos, por uma portaria do Ministério da Fazenda, deixassem de ser ricos”...

Segundo o texto ainda, os ricos seriam espécie de seres “superiores”, proprietários mesmo de uma outra dimensão:
“É possível, sim, conviver com gente rica, falar de assuntos comuns, frequentar lugares parecidos. Dá para torcer pelo mesmo time de futebol, ter gostos semelhantes ou partilhar desta ou daquela ideia. Mas inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, vai ficar claro que a aproximação chega só até um certo ponto; a partir daí entra em ação um freio automático e os ricos deslizam de volta para o seu mundo psicológico particular.”

Ora, num momento em que todo aquele que seja capaz de pensar um pouco mais profundamente chega à conclusão de que a única opção da humanidade é rever seu deslumbramento com excessos em conforto e bens dispensáveis, passando-se inclusive a medir o próprio desenvolvimento de um povo pelo seu nível de bem estar social, Guzzo parece caminhar em sentido contrário, ao acenar para a suposta existência de um aura mágica a pairar sobre as vidas dos “realmente” ricos... Incentivando a manutenção do sentimento de inferioridade dos menos privilegiados, e o de superioridade de nossas elites mais inconscientes (justamente aquelas cuja infelicidade é flagrada na disputa que nunca acaba, em sua eterna corrida atrás do próximo milhão), ao mesmo tempo em que, de certa forma, aplaude a infeliz “corrida do ouro” que, diga-se de passagem, acaba de jogar o mundo numa crise sem precedentes.

No entanto, a verdade, sinto-me na obrigação de arriscar, talvez seja que é muito simples e nada misteriosa, apesar de realmente imensa, a diferença entre os ricos que sempre foram ricos, que sempre viveram entre ricos e que conhecem todo tipo de benefício que dinheiro e poder podem proporcionar, e o “resto” da população, incluindo-se aí os que fazem de tudo, o tempo todo, para serem incluídos na lista de seus convidados...

Acontece que, consciente ou inconscientemente, os genuinamente ricos "sabem" que, a partir de um nível moderado de satisfação a suas necessidades, nada daquilo que possuem ou usufruem é responsável por qualquer de seus momentos de verdadeira alegria e paz de espírito.

A diferença é que eles sabem que o bando de puxa-sacos que os cercam e invejam, desejando ardentemente estar em seu lugar; perdoando-lhes qualquer deslize porque sequiosos por aproveitarem as suas sobras, estão idiotamente iludidos ao imaginarem que a riqueza é o platô definitivo da felicidade.

Eles sabem, pois viram com seus próprios olhos, dentro de suas próprias casas, a Condição Humana se impor à sua vida “mansa” e à de parentes ou amigos... É a doença que, mesmo curada aos sopapos dos vastos recursos aos quais têm acesso, deixa-os desgastados e desconfiados de que não são como o carro que podem trocar a toda hora... É o envelhecimento que acaba por esgarçar o rosto mesmo daquela que mais tenha investido na luta contra o tempo, deixando-a humilhada e obrigada a ver no espelho, todas as manhãs, a luta inglória que tanto a distraiu do que de fato importava... É a gradativa perda de disposição para usufruir da própria riqueza... É o suicídio súbito, ou paulatino - através de algum tipo de vício, cometido por tantos de seus pares... Sem falar nos incontidos reflexos em suas vidas da injustiça social ou das agressões ao meio ambiente...

E, creiam, os mais lúcidos dentre os ricos – vide Bill Gates – não querem para seus filhos qualquer tipo de autoengano sustentado pelo dinheiro...

A Condição Humana... As dores. As perdas. O envelhecimento. A morte. Estes são “bens” universais. E os mais ricos dentre os homens não só se diferenciam das demais criaturas por saberem disso, mas por - indo além - transcenderem a própria fragilidade, ao invés de anestesiarem sua consciência... Deixando-se tomar pela plena certeza de serem essencialmente iguais a cada outro ser humano... Desistindo da inútil tentativa de fuga individual e egoísta, e passando a se dedicar à universalização dos demais bens.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não desistam, por favor!

Enquanto não publico novos textos, que tal lerem os mais antigos?

São tantos...

Sem falar que a maioria é sem dúvida atemporal...

Abraço e até breve!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

AMIGOS LEITORES

Àqueles que sentem falta dos meus textos, peço que aguardem um pouco mais.

Não tem sido por falta de vontade que tenho escrito menos frequentemente: ser avó em tempo integral não me tem deixado tempo para mais nada.

De qualquer forma, não tenho do que reclamar: estou certa de aprender mais, de crescer mais, como avó do que no desempenho de qualquer outra atividade.

Por ora, deixo-lhes aqui um grande abraço e votos de um Natal realmente voltado para as coisas do espírito, do crescimento interior... Única maneira de podermos pensar na possibilidade de um Ano Novo melhor para todos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Em breve

Em breve, novos textos: prometo!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

CORPORATIVISMO

Tenho acompanhado, pelo jornal “O Globo” (do qual colho as informações nesse texto utilizadas), as notícias relativas à possível suspensão, pelo Superior Tribunal Federal (STF), da independência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no julgamento de juízes suspeitos de qualquer tipo de deslize...

Caso os poderes do CNJ venham a ser reduzidos, aqueles que torciam no sentido inverso, na esperança de vê-los ampliados - quem sabe com a diminuição do número de juízes a integrarem o Conselho? -, ver-se-ão bastante frustrados.

De qualquer forma, é bom ver como se tem manifestado a população, demonstrando que não apenas o seriado “Os Simpsons” está com seus dias contados mas também a alienação (característica do personagem principal da série) do povo ( vide movimentos mundo afora ). Delineando-se sua revolta, em relação ao caso em tela, também porque a ação que está para ser julgada pelo STF, proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), inclui contestação à resolução do CNJ que permite retirar dos juízes aposentados compulsoriamente o direito (único caso em todo o funcionalismo público) de receber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço (pesquise nesse blog texto intitulado “Sobre a aposentadoria compulsória de juízes criminosos).

Para completar o quadro, à aparente intenção do Ministro Cezar Peluso de apoiar a AMB na citada ação, temos sua reação diante das declarações da Ministra Eliana Calmon à Associação Paulista de Jornais, segundo as quais o esvaziamento das atribuições do CNJ seria “o primeiro caminho para a impunidade da magistratura” que, de acordo com a Ministra, estaria “infiltrada com bandidos escondidos atrás da toga”. Inconformado com tais palavras, o Ministro quis que a colega se retratasse (o que não aconteceu).


CORPORATIVISMO


Ainda que não houvesse até hoje comprovação de qualquer ato criminoso sob as togas, o simples, reconhecido, admitido ou presumido Corporativismo da classe que as veste já acenaria para a necessidade de séria supervisão externa.

Em relação à classe médica, por exemplo, que parece bastante afetada por esse mal, ouvimos tristes piadas sobre a “máfia branca”... Pior é imaginarmos a possibilidade de um dia nos depararmos com uma “máfia de toga”... Pois esperamos que a Justiça realmente se faça pela independência do pensamento e do sentimento de cada juiz (fazendo parte de seu difícil trabalho, inclusive, conscientizar-se, em cada caso, dos movimentos humanos e obscuros no fundo de sua alma... As segundas intenções sempre precisam ser desmascaradas)... E é assustador imaginarmos a possibilidade de que qualquer decisão jurídica possa ser tomada em função do medo hierárquico ou corporativo, dos interesses pessoais do magistrado, da troca mesma de favores.

Sempre que um homem abre mão de suas próprias impressões – juiz ou não -, ele se corrompe. A verdade é que o corporativismo, ao qual muitas vezes nos referimos como característica quase inerente a uma ou outra instituição não é um mal menor. Ele pode ser pai da corrupção que tanto afirmamos desejar combater.

E a soma de movimentos carregados da solidariedade exagerada e imposta - que é como meu irmão se refere ao corporativismo –, a ter lugar no judiciário, só pode resultar – ironia! - numa série de injustiças, a culminarem, bola de neve, em variedades de crimes que não estou apta a classificar... Crimes esses, imagino, seguidos por outro mar de transgressões perpetradas em vista da “necessidade” de manutenção de uma imaculada imagem institucional em algum momento idealizada (pesquisem nesse blog o texto “Respeitabilidade e Autoengano”) e cada vez mais seguidamente desmistificada.

A conferir-se realmente tal estado de coisas dentro da Justiça brasileira, o CNJ não pode deixar desamparados, além de seus usuários – vítimas potenciais -, os bons juízes acuados, assediados moralmente e fragilizados pela engrenagem corporativa que os ameace engolir... E, ao invés de esperar que juízes sejam justamente acusados ou escolhidos como bodes expiatórios, deveria ver-se livre para continuar seu belo e útil trabalho, passando a atuar ainda mais preventivamente, digamos assim, no combate ao decantado Corporativismo dentro de todo o sistema judiciário. Fiscalizando das menores ações administrativas até as mais importantes decisões de nossos tribunais; desmanchando, enfim, qualquer possibilidade de ali dentro viver-se sob a tutela do autoengano.

Enfim, é bom sabermos que, para o veredicto final do caso em questão, contamos, no STF, dentre outros, com o Ministro Eros Grau, que, ao prefaciar o livro do rabino Nilton Bonder, intitulado “Segundas Intenções”, confronta o “yetser há-tov” (impulso ético) com o “yetser ha-rá” (segundas e egoístas intenções, conforme aprendemos com o autor que, à p. 98, nos lembra de que, “para mantermos nossa honestidade, precisamos reconhecer nossa desonestidade” – ainda que potencial). Afirma o Ministro:

“ Importa indagarmos – e o livro de Nilton me faz pensar nisso – se a decisão dos juízes, em cada caso, provém do yetser há-tov (o bom impulso ético), construído a partir do senso de justiça e decência, ou se eles a tomam dominados pelo yetser há-rá. Eis a grande questão que o livro me propõe, como a reafirmar o caráter dramático da decisão jurídica. Toda decisão jurídica é terrível, como o anjo de Rilke. Será trágica sempre que o yetser ha-rá prevalecer.”


Obs. Informada de que o Ministro Eros Grau estaria aposentado, acredito que o texto acima permaneça valendo, na medida em que imagino outros Ministros do STF a encarnarem a mesma consciência inferida de sua acima citada afirmação.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

MICHAEL MOORE

E não é que os NOVENTA E NOVE PORCENTO da população que tens ajudado a acordar (e Marx certamente adoraria ver como o próprio podre sistema capitalista tem colaborado nesse sentido) acabaram por cercar Wall Street?

Exatamente como temos a sensação de que seja teu desejo em “Capitalismo: uma história de amor” ( vide nesse blog texto sobre esse documentário )...

Então, precioso cineasta, do fundo do meu coração...

PARABÉNS!