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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

MICHAEL MOORE

E não é que os NOVENTA E NOVE PORCENTO da população que tens ajudado a acordar (e Marx certamente adoraria ver como o próprio podre sistema capitalista tem colaborado nesse sentido) acabaram por cercar Wall Street?

Exatamente como temos a sensação de que seja teu desejo em “Capitalismo: uma história de amor” ( vide nesse blog texto sobre esse documentário )...

Então, precioso cineasta, do fundo do meu coração...

PARABÉNS!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

MELANCOLIA

Lindo o retrato da integração de Justine ( vestida de noiva ) com a natureza, a nos abrir o filme...

Acostumada às “intempéries e oscilações cósmicas” dentro das próprias entranhas, mostrou-se ela a única capaz de se manter tranquila diante da certeza do final dos tempos. A ponto de idealizar, para os últimos minutos de existência do planeta, uma “caverna mágica” – lembrei de nossos índios, inconsciente coletivo - capaz de proteger a pureza do pequeno sobrinho de qualquer fantasia dolorosa a respeito do que estivesse para acontecer.

Enquanto sua irmã Claire, controladora e bastante adequada aos ritos sociais, além de muito apegada aos bens materiais, angustiada, não conseguia se conformar com a total perda de controle...

Muito boa a passagem na qual as irmãs conversam sobre como passarem o derradeiro instante. Claire é ainda capaz de imaginar a tradicional taça de vinho na varanda, enquanto a irmã, sempre pronta a desconstruir, quer saber por que não no banheiro, ou de qualquer outra maneira, como a que acaba afinal por idealizar.

Quanto à covardia do marido de Claire, homem acostumado a dar conta de tudo com um talão de cheques, são dispensados quaisquer comentários.

O filme Melancolia trata do final da Terra, enquanto nos transmite a ideia, através de Justine - "Eu sei" - de que não haveria por todo o Espaço qualquer outro ser consciente, além de nós. Ninguém, portanto, capaz de dar-se conta de nosso fim. E acabo chegando à conclusão de que, sendo assim, não haveria o que temer... Pois não mais havendo vidas como a nossa, deixaria de existir também a tão temida morte. Não seria apenas o filho de Claire a deixar de crescer...

Fim de mundo mesmo talvez seja o que todos os dias vivenciam tantas criaturas ante desgraças advindas da miséria, da violência...; ou vendo suas famílias arrastadas por enxurradas destruidoras que poderiam ser menos arrasadoras não fosse a corrupção que, inacreditavelmente, continuando sobre a desgraça, acaba por atrasar qualquer tipo de reconstrução...

Fim de mundo mesmo talvez seja vermos todos os dias criaturas amáveis e educadas, como o marido de Claire ( lembram? ), a pretenderem, com seus milhões acumulados, comprar a salvação apenas para si mesmas.

A verdade é que achei o filme lindo e saí do cinema nada melancólica, muito longe de experimentar as insônias descritas por outros espectadores...

Lembrei, então, de que, para consolar a irmã, Justine fora categórica: “A Terra é má”...

Mas, de qualquer forma, se no fim estava o - nosso atavicamente reconhecido - nada ( ainda que não absoluto ), princípio de todas as coisas, quem sabe também encontrava-se ali a chance de uma nova humanidade?


Obs. E, afinal, Justine era “boa” ou “má”?, mocinha ou bandida?

Talvez apenas de repente mais consciente.

Completamente integrada à Terra, é provável que fosse diretamente desse vínculo que lhe viessem – o inconsciente trabalha sem parar, para o bem ou para o mal – os tais slogans comemorados por seu patrão, na agência de publicidade...

Quem sabe se toda a energia de tantos publicitários capazes de insights fenomenais, somada àquela que parte de nossos tantos bons criadores, fosse dirigida – ao invés de no sentido de produzir cifras a qualquer custo - para a construção de um mundo melhor, a nossa Terra não tivesse outra chance?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CISNE NEGRO

Bela representação da luta travada na alma de uma jovem mantida refém pela controladora e invasiva mãe que, tendo outrora desistido da carreira seguida pela filha Nina, não hesita em culpar a maternidade por seu próprio fracasso.

Determinada a superar os limites nela apontados pelo diretor da nova e transcendental montagem de “O lago dos cisnes”, Nina enfrenta fantasmas que a levam quase a palpar o medo-limite de chegar a matar e/ou morrer em nome do sonho de tornar-se a bailarina perfeita para ele.

Mais do que um embate entre o bem e o mal, os cisnes branco e negro a serem encarnados pela bailarina acabam por representar sua busca por uma identidade integradora, que a possa libertar dos efeitos da mensagem contraditória e esquizofrenizante contida na voz de sua mãe: seja a melhor, mas jamais me supere.

A automutilação ( até que ponto? ) - além da incapacidade de manter uma vida sexual plena - foi a forma que Nina encontrou para, negociando com a confusa figura materna – cisão interna, não sucumbir.

Pelo menos não antes de alcançar a almejada glória.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Discurso do Rei

Outro filme sobre o qual custei muito a escrever...

E que demorei também a assistir.

A verdade é que, após ler alguns comentários, sempre parecidos e positivos, sobre o enredo da premiada película, não cheguei a imaginar que, ao assisti-lo, desligaria a televisão tão insatisfeita: eu queria era conhecer mais da história daquele primogênito pouco focalizado; aquele que, em nome de sua história pessoal, resolveu abrir mão – e contente! - do trono, em benefício do irmão ansioso por libertar-se da gagueira e... ascender.

De histórias como a daquele é que estamos precisando!

Sinceramente, o que há de interessante ou de novo em alguém que faz de tudo para ter uma boa performance ao assumir o sôfrega e cegamente desejado Poder?

Ah!, isso me lembra Frei Betto, em “ A mosca azul...”:

“Para alguns, o poder é a suprema ambição. Há homens que fora do poder sentem-se terrivelmente humilhados, expulsos do Olimpo dos deuses. Como é difícil voltar ao que se era! Vargas preferiu meter uma bala no coração a ver-se destituído de poder. Jânio Quadros renunciou para ter mais poderes, mas calculou mal o lance. Honrosa exceção de desapego ao poder, a merecer estátua em praça pública, é o paulista que não quis ser rei, Amador Bueno da Ribeira, quando uma parcela da população de São Paulo se negou, em 1640, a reconhecer o reinado de dom João IV. Aclamado rei sem ter sido consultado, Ribeira não cedeu aos encantos do poder. Preferiu fugir e esconder-se a ter a cabeça ornada por uma coroa. Só em abril de 1641, São Paulo prestaria juramento a dom João IV. ( Certamente esta foi a nossa primeira manifestação de independência. )”

Voltando ao “discurso do rei”, não consegui compreender também o personagem principal como alguém cuja gagueira fosse símbolo de sua fragilidade - ou algo assim -, que, ao ser superada, representou uma grande conquista para um grande homem, responsável por sei lá que grandes feitos durante a segunda grande guerra mundial...

Ao contrário, acabei é concluindo que a gagueira era seu lado mais sadio, a protegê-lo justamente de sua inveja do irmão – mais próximo, então, do por ele ardentemente almejado trono... Do que teria sido capaz aquele homem se sua gagueira não houvesse colocado sua ânsia sob controle?

Quanto a seus feitos durante a guerra, ora, ora, ele simplesmente cumpriu o seu papel. Tomou as decisões que favoreciam seus interesses e que, graças a Deus, naquele momento, estavam do melhor lado.

DE PERNAS PRO AR

Como sabem os meus devotados leitores, não tenho podido me dedicar ao blog como gostaria...

Assisti há alguns meses ao DVD do filme “De pernas pro ar” e acabei adiando tanto o momento de sentar e escrever sobre a história que provavelmente será difícil, mesmo com o auxílio das notinhas rabiscadas e espalhadas sobre a minha mesa, acessar em meus arquivos internos todas as observações feitas então.

Essa comédia inofensiva(?), ao contar a história de uma mulher que nunca tivera um orgasmo, traça espécie de caricatura do que seria o processo de liberação da libido feminina.

Havia no filme um viés de crítica ou ironia? Pode ser.

De qualquer forma, o espectador comum acaba mesmo é à mercê de uma espécie de propaganda do sexo industrial, segundo a qual modelo de mulher livre e ardente é aquela que faz uso, sem maiores hesitações, de brinquedinhos de todos os tipos, desde calcinhas mastigáveis até o coelhinho eletrônico escolhido pela personagem para ajudá-la a conhecer seu próprio corpo (???)...

O consumismo realmente parece haver invadido definitivamente a vida dos infelizes seres humanos. Longe da certeza de que o autoconhecimento, a comunhão com seus corpos, almas, fantasias e criatividade, além da sintonia com o companheiro, são mais do que suficientes para que atinjam todo o prazer possível a sua faixa etária e hormonal, muitas mulheres talvez tenham saído do cinema dispostas a encher os bolsos dos vendedores de bugigangas sexuais.

Mas o pior é que ( inadvertidamente? ) o filme talvez passe uma mensagem não muito educativa para o público mais jovem... Além da comercial associação entre prazer e “brinquedinhos”, como o primeiro orgasmo da mulher ocorre após ter estado ela em uma festa barulhenta na qual experimentou algum tipo de droga, não podemos rechaçar a possibilidade de que, inconscientemente, alguns espectadores interiorizem a triste e equivocada ideia de que festas barulhentas e drogas se associem à liberdade. À mesma “liberdade” que, no filme, acaba por levar a mulher - já em casa - ao orgasmo, com a ajuda do coelho...

( Para os menos atentos, pode ficar tudo associado: drogas, coelho e satisfação sexual. A verdade é que mensagens subliminares são sempre perigosas. )

E ser livre é justamente desistir de estereótipos; é pensar, agir, escolher, falar, vestir, ser, sempre em busca da melhor expressão de nossa singularidade que, ao mesmo tempo, nos individualiza e reconcilia com cada outro ser humano...

Ser livre é, sem fazer parte de qualquer patotinha excludente ou “exclusiva”, ter coragem de descobrir o que realmente se pensa e sente sobre tudo...

E, caso isso interesse à construção de um mundo melhor para TODOS – única patota à qual de fato todos e cada um de nós pertencemos -, ter coragem de dizê-lo, sem medo de qualquer tipo de exclusão...

sábado, 6 de agosto de 2011

A Mosca Azul - reflexão sobre o poder

É de Frei Betto.

Você já leu?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PRECONCEITO

Impressionante a força do preconceito em relação a tudo o que se refira às classes menos favorecidas...

O livro da professora Heloisa Ramos, “Por uma vida melhor” - que ainda não tive o prazer de ler -, parece haver atraído a ira não só de todos aqueles aos quais interessa a manutenção do status quo; mas também a dos que, humildes e absolutamente sufocados pela ideologia dominante, não conseguem compreender que pensam contra si mesmos.

Fico feliz por conferir que algumas almas iluminadas, como o escritor Francisco Bosco, acabaram escrevendo belos textos sobre o assunto. Mostrando o quanto a leitura sincera do livro em questão pode levar qualquer um a compreender que o objetivo de sua autora – nas polemizadas passagens - é simplesmente fortalecer a autoestima daqueles que se preparam para conhecer – naquele próprio livro - a dita norma culta de sua Língua.

Afinal, é preciso a certeza de que não se é “menos” do que qualquer um daqueles que nasceram com as concordâncias na ponta da língua, para que se possa, fazendo uso dos seus próprios manejos linguísticos, acessar outras modalidades do idioma pátrio.

Tanto é assim que, como professora de Redação, há muito concluí que marcar com traços vermelhos as incorreções gramaticais dos primeiros textos produzidos por qualquer aluno, de qualquer classe social, é garantia de limitar-se em muito sua capacidade criativa.

Primeiro, é preciso que os alunos acreditem que já estão – porque já estão -, de alguma maneira, atingindo o objetivo número um de qualquer Língua: a comunicação daquilo que pensam e sentem.

Depois, e somente depois, será possível que bons professores possam levá-los a DESEJAREM aperfeiçoar essa capacidade, através de muita leitura e orientações relativas às formas mais elaboradas da Língua.

Imagine que soube de alguém tentando comparar a linguagem humana à matemática, exigindo o acréscimo preciso dos sufixos para que a emissão de um pensamento ou sentimento pudesse ser aceita...

Num mundo onde, infelizmente, as humanidades estão sendo deixadas de lado em nome das ciências exatas; no qual atender ao interesse do mercado é o que se espera da Educação, não se tem mesmo tempo para a EDUCAÇÃO.

E EDUCAR, parece ser o que pretende a professora Heloisa através de seu trabalho, além de promover o acesso legítimo de alunos carentes a todas as esferas do saber.

Afinal, em tempos de discussão em torno do que seja "bullying", a escola precisa pensar em como promover e preservar o respeito de cada aluno por si mesmo; levando-o a saber que jamais terá de se envergonhar de sua origem ou diferenças.

Para que, em última análise, ainda quando, eventualmente, venha a ser de alguma forma provocado, ele possa escolher respeitar cada um de seus próximos.